Por que eu sempre atraio caras complicados?

Essa semana recebi um e-mail curioso de uma mulher querendo saber o por que ela “só” atrai homens complicados.

No e-mail ela escreve o seguinte: “minhas amigas não aguentam mais me ouvir reclamar do Fulano, elas dizem que ele é muito parecido com meu antigo namorado, que também era complicado e me tratava mal. Acho que eu tenho dedo podre. O que eu devo fazer? Não quero terminar porque não gosto de ficar solteira.”

Como eu disse no post “Seja a protagonista da sua vida amorosa” [leia o texto aqui] eu não gosto de dar respostas prontas ou conselhos . Mas gosto de fazer as pessoas refletirem sobre quais fatores geram seus problemas afetivos. A partir dessa reflexão elas podem decidir quais mudanças são necessárias para a sua realização pessoal. No caso da mulher que me escreveu eu percebo o seguinte:

1) Ela está insatisfeita com o parceiro;

2) Tem hábito de reclamar dele mas continua na relação;

3) Não é a primeira vez que ela escolhe um parceiro que a trata mal;

4) Faz comentário autodepreciativo sobre si mesma (eu tenho “dedo podre”);

5) Prefere estar num mal relacionamento do que ficar solteira.

Esse comportamento de permitir que o outro a trate mal são indícios de alguém que tem baixa autoestima e pouco amor próprio.  A autoestima é um sentimento muito debatido e pouco compreendido.

Se você fizer uma busca por esta palavra na internet você vai se deparar com muitas descrições relacionando autoestima com bom humor, estado de alegria constante, euforia e um conceito elevado sobre si mesmo. A impressão que dá é que quem tem autoestima é uma pessoa entusiasmada e capaz de fazer tudo o que quiser. UHUUU!

Mas essa expectativa que você estará sempre pra cima, mandando beijinho no ombro pra todo mundo e de bom humor o tempo todo é uma ilusão! Esqueça! Ninguém é assim, nem aquela pessoa que você acha linda e MA-RA-VI-LHO-SA.

Então o que é ter uma autoestima saudável?

Estudando com mais afinco encontrei uma descrição de autoestima que gostei muito, que foi a do psicólogo Frederico Matos em seu livro Relacionamento para Leigos.

Segundo esse psicólogo a autoestima não é um estado ilusório de positividade cega sobre si mesmo, mas uma aceitação dos próprios limites e uma busca pela melhoria continuada do seu bem-estar. Se sua autoestima é boa, quer dizer que você é capaz de perceber que tem defeitos físicos e emocionais, mas isso não se torna necessariamente destrutivo e sim um caminho para maior autoaceitação e crescimento. A autoestima é antes de tudo, uma compaixão para com você mesmo, ou seja, um acolhimento incondicional. É se amar consciente das suas virtudes e fragilidades.

Como perceber que sua autoestima está prejudicada?

  1. Quando você se coloca num patamar inferior ao seu parceiro(a) “ele(a) é melhor do que eu” (senso de inferioridade);

  2. Quando há um desequilíbrio entre o dar e receber, você está sempre se doando, anulando sua opinião pra agradar o outro para que ele te aceite;

  3. Você tem dificuldade para expressar sua opinião quando ela é muito diferente das do outro porque prefere evitar confronto e foge de conflitos de idéias ;

  4. “engole sapos” com frequência ;

  5. Permite que seu parceiro(a) te humilhe;

  6. Tem dificuldade para dizer não;

  7. Se compara com outras pessoas e foca naquilo que você tem de menos;

  8. Se lamenta com frequência;

  9. Se desmerece, se acha incapaz e boicota os seus planos de sucesso;

  10. Aceita com facilidade um autoinsulto e tem dificuldade de aceitar elogios;

  11. Coloca o relacionamento em risco porque acredita que não merece ser feliz.

No relacionamento amoroso a apreciação por si mesmo é fundamental para que a interação do casal não gire em torno de comportamentos abusivos ou problemáticos.

Quando uma pessoa tem uma visão equivocada e ruim de si mesmo, costuma entrar em relacionamentos com pessoas tóxicas, invasivas e mal educadas. Ela se permite ser magoada e tolera ser humilhada porque tem uma visão prejudicada de si mesmo. Como se ela pensasse “ele tem razão de me tratar assim, eu sou uma idiota mesmo”, “foi tudo minha culpa”, “eu mereço passar por isso”. Esse tipo de pensamento vem de um jeito sorrateiro e quietinho, quase imperceptível. Algumas pessoas nem notam que tem esse tipo de pensamento mas se comportam como se pensassem assim. E pode acontecer em pessoas que por algum motivo se sentem rejeitadas. A rejeição passa a ideia de “não sou amada e não tenho tanto valor”.

Lúcia é uma mulher jovem e com temperamento gentil, seu parceiro Vinícius é egoísta e duro com ela, tudo tem que ser do jeito e no tempo dele. Ele é mimado e egocêntrico, critica Lúcia na frente dos amigos e gosta de estar sempre por cima. Ele se atrasa e não pede desculpas e quando alguém percebe suas grosserias e o recrimina ele solta a frase “Lúcia é boazinha, ela não liga pra isso” e Lúcia se cala. Mas por trás da sua grande generosidade ela esconde um sentimento de inferioridade.

De onde surge o sentimento de inferioridade?

O psicólogo Frederico Matos explica que esse sentimento de inferioridade se alimenta de um senso crítico interno implacável, que fantasia um tipo de pessoa ideal que você deveria ser. É como se houvesse uma total falta de sintonia entre o que você é e o que você gostaria de ser. Essa alta exigência e constante autocobrança sustentam o sentimento de inferioridade.

Por isso é tão importante desenvolvermos uma autoaceitação e autoestima saudável.

Em coaching eu trabalho a mudança de comportamento (qual situação você está hoje, onde você deseja viver amanhã e como pretende fazer isso), eu construo com o cliente um plano de ação, um passo a passo de atitudes que podem ajudá-lo a vencer os comportamentos que sabotam sua satisfação afetiva. Mas não  investigamos a origem do sentimento de inferioridade e não me  aprofundo nas questões familiares. Um bom caminho para compreender melhor a raiz da sua baixo autoestima é buscar o autoconhecimento aprofundado por meio de terapia psicológica.

Com base no que vimos aqui eu gostaria de te convidar a refletir sobre:

Que mensagem você tem transmitido sobre você mesma para os seus parceiros (as)? 

Entenda que quanto maior o sentimento de inferioridade mais transmitimos a mensagem de que não temos valor e mais atraímos parceiros que não nos valorizam.

Pensando nisso eu te pergunto:

O que o perfil das pessoas que você escolhe como parceiro (a) tem revelado sobre sua autoestima?

O que o seu comportamento no relacionamento tem revelado sobre sua autoestima?

De que forma sua autoestima vem afetando negativamente sua vida amorosa ?

Que mudanças você gostaria de fazer em sua vida afetiva?

No próximo post vou continuar abordando sobre esse assunto. Se você gostou comente, tire dúvidas e participe.

Beijos e até a próxima quarta.

5

5 comentários sobre “Por que eu sempre atraio caras complicados?

  1. Bru, parabéns! Que Deus continue te abençoando e te dando sabedoria para você ajudar as pessoas com seu conhecimento.

    bjo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *